Pausa em meio ao caos
- Daniele Pestana

- 12 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de mai. de 2025
Cabeça pensa, pensa e pensa. Dedos estão na ânsia por escrever. Minhas mãos estão querendo escrever como nunca quis antes. Como se dentro da cabeça de cada dedo tivesse um cérebro, elas tivessem vida própria e estivessem pensando mais do que “eu”. Você já sentiu isso?
Semana passada fui assistir à peça Senhora dos Afogados do Nelson Rodrigues no Sesc Pompeia – montagem do Teatro Oficina. Que por sinal está uma montagem maravilhosa! Eles vão estender a temporada para o Teatro Oficina, que vale muito a pena conhecer! É lindíssimo!
Nessa peça a personagem Eduarda (interpretada lindamente pela Leona Cavalli) possui mãos que têm praticamente vida própria. Elas saem se mexendo e tocando de forma “incontrolável” e é como estou me sentindo nessa manhã com as minhas mãos. Como se elas quisessem sair do meu corpo e escrever compulsivamente tudo que elas estão passando. “Elas”, não “eu”.
Acho que “elas” foram influenciadas pela trama.
A primeira vez que me senti assim foi numa tarde de pré carnaval em que tocava do lado de fora: “Meu amor, olha só, hoje o sol não apareceu, é o fim da aventura humana na Terra”. Nunca tinha parado para prestar tanta atenção nessa música e ela fala exatamente sobre o fim da humanidade, e todos cantam alegremente.
Que contradição linda que é a vida!

O horóscopo desse ano me disse que seria um momento de maior introspecção, e de fato é o que estou sentindo. Nunca imaginei que começaria a ter essa vontade louca de escrever num sábado pré carnaval, e com um bloco em frente à minha casa. Não sei se acredito no horóscopo, mas às vezes ele acerta, ou influencia o leitor.
E nesse dia de pré-carnaval, depois de ter assistido à peça O Figurante com o Mateus Solano, em que ele vive diferentes personagens de figuração a cada dia, e entra realmente na vida desses personagens, imaginando suas histórias e criando em cima delas (que também vale muito a pena assistir), me perguntei:
“Qual personagem devo ser hoje? A gerente do mundo corporativo, que vai todo dia para o escritório chique com roupas sociais e é séria para impor respeito?
-Não, hoje é sábado, é dia dessa ficar descansando e não aparecer. Não é dia de pensar em coisas do trabalho.
-Ou a que tem muita energia, que é inimiga do fim, quer estar em todos os rolês ao mesmo tempo, que canta, dança, sorri e se diverte?
-Hoje essa não quis aparecer. Ficou com preguiça e preferiu dormir o dia todo.
-A que apareceu foi uma nova, que ainda não conheço direito, mas que quer escrever, estudar, ler loucamente e refletir sobre tudo que está acontecendo nesse momento na sua vida e no mundo (que está uma loucura por sinal, hein galera?!). Essa quer parar um pouco o tempo. Ficar quieta, parada, só pensando, colocando no papel e seguindo a sua intuição.”
Parar. Tão difícil fazer isso nos dias de hoje. Tanta coisa, informação, pessoas o tempo todo. Celular que não pára e não deixa ninguém parar.
A música do bloco parou. Como é bom ouvir o silêncio.






Me trouxe uma ótima reflexão!